A tabela do catálogo SC BOOSTER não é um cardápio em que se escolhe só o motor. Cada linha combina modelo, potência, pressão de entrada, vazão de entrada, vazão de saída, conexões e um reservatório indicado. Quem lê só a coluna do cv escolhe errado.
Pressão de entrada é o ar que o booster recebe. No PDF ela aparece como 6, 8 ou 10 bar, conforme o modelo. Sem essa pressão, o equipamento não “inventa” massa de ar. Se a casa de máquinas entrega 7 bar instáveis, o ponto de operação não é o da célula de 10 bar. Conceito educacional: booster multiplica a partir do que chega, não substitui o compressor primário.
Vazão de entrada e vazão de saída vêm em pcm e m³/h, lado a lado. Elas não são iguais. O catálogo registra os dois valores para cada pressão de entrada. A diferença interessa à engenharia da aplicação; este artigo não fecha um balanço energético com um coeficiente inventado. O que o leitor pode fazer é anotar o consumo do processo em alta pressão e comparar, com a equipe, com a coluna de saída do modelo candidato.
Conexões de entrada e saída (1/2" a 1 1/4" no material) lembram que a tubulação faz parte do dimensionamento. Um booster de 40 cv numa linha estreita é um problema de rede, não só de catálogo. O reservatório indicado cresce com a série — 150 L nos menores, 1.000 L no BSCW-40/AD — e permanece opcional / não incluso, segundo o rodapé.
O catálogo resume o critério em uma frase: o dimensionamento final depende da aplicação, pressão, vazão e condições de operação. Quatro variáveis, nenhuma delas é “o modelo mais vendido”. Aplicação é o processo. Pressão é a de entrada e a de saída desejada, até o teto de 45 bar da série. Vazão é a do processo e a que a rede primária consegue sustentar. Condições de operação incluem altitude, temperatura, ciclo contínuo ou intermitente, e se há tratamento de ar depois do booster.
O que não fazer com a tabela: interpolar um modelo que não existe, somar vazões de duas células como se fossem um único ensaio, ou tratar o teto de 45 bar como pressão de todos os modelos. A série vai até 45 bar; cada linha da tabela tem sua pressão de entrada publicada. A pressão de saída do processo continua sendo um dado da aplicação, não uma coluna extra que este artigo possa fabricar.
Na prática, o pedido de orçamento pode chegar incompleto. O formulário público pede a necessidade em texto livre e oferece pressão e vazão como campos opcionais, com o aviso de que não saber não impede o envio. Isso não é desleixo de engenharia. É o reconhecimento de que muita planta chega primeiro com o sintoma — “o ramal alto não segura o ciclo” — e só depois com o manômetro calibrado.
A página do SC BOOSTER traz a tabela transcrita integralmente. A consultoria técnica existe para cruzar essa tabela com a planta. O PDF premium está no href histórico do catálogo. Nenhum dos três — página, artigo, PDF — substitui a medição no ponto de uso.
Um exemplo de leitura, sem virar recomendação de compra. Se a casa de máquinas entrega 8 bar estáveis e o processo pede um ramal alto, as linhas da tabela em “entrada 8 bar” são o conjunto candidato — BSCI-5/AD (50 / 85 pcm de entrada, 40 / 68 de saída), BSCI-7/AD (74 / 125 e 60 / 102), e assim por diante até o BSCW-40/AD (380 / 646 e 310 / 527). Se a entrada medida for 10 bar, é outra coluna, outro par de vazões. Se a entrada oscilar entre 7 e 9, não existe célula “7 a 9”: existe uma conversa sobre estabilidade da primária antes de escolher o booster. Isso ainda é o catálogo falando, só que em voz alta.
Conexão também corta caminho. Passar de 1/2" para 1 1/4" ao longo da série não é detalhe de desenho: é o diâmetro que o PDF associa à vazão daquele modelo. Instalar o BSCW-40/AD numa linha que nasceu para o BSCI-5 é um problema de tubulação. O artigo não dimensiona tubo. Só avisa que a coluna existe para ser lida.
Reservatório indicado cresce com a série e continua opcional. Quem já tem um V500LAP ou um V1000LAP da família PET/Booster não “ganha” o tanque de novo na compra do booster. Quem não tem tanque nenhum não é obrigado pelo PDF a levar o volume da célula — é avisado de que aquele volume foi o indicado na tabela original.
Quatro dados, duas páginas (produto e consultoria), um PDF. Pressão e vazão no formulário continuam opcionais. A medição, quando existir, entra no mesmo campo ou no texto livre. Sem medição, o relato do processo ainda vale.
Como ler pressão de entrada e vazão no booster
A tabela SC BOOSTER combina entrada, vazão e conexões. O catálogo diz: o dimensionamento depende da aplicação e das condições de operação.